16 de junho é Dia Internacional da Tartaruga Marinha

Por ICMBio – em, 13/06/2019

A data comemorada internacionalmente traz uma reflexão sobre futuro das espécies que ocorrem no litoral brasileiro. 

Tartarugas marinhas são animais altamente migratórios, que podem passar pelas águas de diversos países em sua longa vida. (Foto:Acervo/ICMBio)

Muitos são os desafios, como a diminuição do lixo no mar, o fim da captura incidental na pesca e melhor planejamento do desenvolvimento costeiro, cujos empreendimentos pressionaram os trechos de praias que nada mais são do que as áreas onde as fêmeas das tartarugas marinhas escolhem depositar historicamente seus ovos pelo litoral brasileiro.

O Dia Internacional das Tartarugas Marinhas – comemorado no dia em que nasceu o biólogo e pesquisador pioneiro desses animais – deve servir para refletir e debater sobre o que anda acontecendo com esses pacíficos e carismáticos animais.

As tartarugas marinhas são animais altamente migratórios, que podem passar pelas águas de diversos países em sua longa vida: em países como a China este animal tem uma relação até mesmo cultural com a longevidade. Mas o lixo no mar tem sido um dos principais sentenciadores da vida delas. Estima-se que entre 4 a 12 milhões de toneladas de plástico são despejados nos oceanos a cada ano. E no mar, o plástico vira uma armadilha para as tartarugas marinhas, sendo confundido com alimento ou aprisionando espécies, a exemplo de pedaços de redes de pesca que se enroscam em seus corpos podendo levá-las à morte.

O lixo ingerido pode bloquear o sistema digestório e interferir no processo de flutuação da tartaruga, fazendo com que morram por inanição, pois param de se alimentar, acrescido das toxinas que são liberadas no organismo e das lesões no trato gastrointestinal delas. Com isso percebe-se que os tão debatidos canudos de plástico são apenas ‘a ponta do iceberg’ no que se refere ao que vai parar nos oceanos e, por tabela, no estômago desses animais marinhos.

A analista ambiental do ICMBio, Gabriella Tiradentes Pizetta, participou de um Fórum em Santos/SP, que discutiu o lixo no mar e seus impactos (dias 10 e 11 de junho), oportunidade em que pôde levar as contribuições do Centro em relação à essa temática. Segundo ela, um objetivos do Plano de Ação (PAN) para Conservação das Tartarugas Marinhas é a redução dos impactos da poluição nas tartarugas marinhas, e a temática do lixo é abordada em várias outras ações do PAN também.

A pesca incidental é um outro impacto relevante, causando a morte de tartarugas adultas e jovens, apesar de elas não serem as espécies-alvo da pesca. Alguns petrechos de pesca, como anzóis e redes inadequadas, interagem mais com as tartarugas, o que também atrapalha o pescador, pois reduz a quantidade de peixe ou camarão capturado. 

Para mitigar e reduzir esses impactos da pesca incidental, o Tamar monitora embarcações e promove a divulgação de medidas mitigadoras que podem ser utilizadas por pescadores durante as ações de pesca, como o uso do anzol circular, que captura o peixe, mas não a tartaruga marinha. Conheça mais essas medidas clicando aqui

Como as sociedades se desenvolveram historicamente próximas a rios e mares, os livros de história não nos negam essa relação homem-água. Junto com o aumento do número de empreendimentos na orla brasileira, vem a luz. E com ela todos os impactos que a fotopoluição pode trazer, desorientando as fêmeas que desovam naquelas praias, assim como os filhotes, que após nascerem não conseguem encontrar o mar, podendo ser predados ou morrer por desidratação.

Pesquisa conduzida pela pesquisadora e doutora pela Universidade de Exeter, na Inglaterra, Liliana Poggio Colman, realizou cruzamento de imagens de satélites com a iluminação artificial, revelando aumento de 64% nas principais áreas de desovas de tartarugas marinhas ao longo da costa brasileira (do RJ a SE).

Nos processos de licenciamento ambiental de empreendimentos em áreas prioritárias para conservação das tartarugas marinhas, o Centro Tamar tem que ser consultado, como determina a Resolução CONAMA 10/1996. A analista ambiental afirma que já somam-se 165 manifestações emitidas de 2013 a 2018 e sempre tem sugestões de medidas mitigadoras de impactos ambientais a esses empreendimentos.

Como exemplos estão medidas para a redução do descarte de lixo na área do empreendimento e da praia; implantação de projeto de educação ambiental em todas as fases do empreendimento; adequação do sistema de iluminação do empreendimento, entre outras medidas.

O caminho é longo e os desafios crescentes, mas quem defende o mar e suas criaturas não mede esforços, seja na esfera governamental, privada ou nas instituições como ONGs para que não apenas tartarugas, mas todo e qualquer animal marinho seja protegido, não apenas para esta mas para as gerações futuras.

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14 – Vida na Água

Comunicação ICMBio
(61) 2028-9280

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